29/05/12

ENEM 2012 - Inscrições abertas

As inscrições para o ENEM 2012 estão abertas até o dia 15 de junho de 2012. Informações no site do Inep.

07/01/12

Manuscrito de Clarice Lispector

Li o artigo, de Pedro Correa do Lago, publicado na Revista Piauí sobre um manuscrito de Clarice Lispector. A reportagem é interessante e mostra uma página onde a autora escreve sobre sua personagem Macabea. Vale a pena ler.

20/12/11

Feliz Natal!


Poema de Natal
Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

18/12/11

Sobre o ato de escrever...



Agora que o ano letivo se encerrou, tenho mais tempo para ler e escrever, inclusive os posts deste blog. E tenho pensado muito sobre o ato de escrever.

O que seria realmente escrever? Apenas dominar as técnicas de redação? Ortografia? Sintaxe? Claro que não. Escrever é muito mais do que isso. Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida. E se executada de determinado modo e com certos objetivos pode levar à criação de uma obra de arte, ou seja, de um texto literário. É claro que no caso da literatura outros componentes entram em jogo. Afinal, nem todo texto escrito é uma obra literária.

No ensino de redação há vários níveis de escrita. Quando o aluno inicia o seu contato com as letras, o grau e o foco de exigência do professor é um. Nesse momento, a técnica, as regras gramaticais e a ortografia precisam ser ensinadas e aprendidas. Depois o foco da avaliação deve ser outro; gradativamente, ao longo do ensino fundamental e médio, oportunidades de escrever devem ser oferecidas ao aluno, bem como um feedback que o auxilie a melhorar o seu texto. Nem sempre é fácil pois no sistema escolar é necessário quantificar a produção do aluno. E isso é realmente subjetivo e, algumas vezes, pode até ser desmotivante tanto para o aluno quanto para o professor. Quando se trata de avaliar uma redação é necessário que os critérios usados pelo professor fiquem claros para os alunos.

Lembro sempre de uma citação de João Cabral de Melo Neto: "Escrever é estar no extremo de si mesmo". E não é que é isso mesmo? Nas aulas de redação, nós professores costumamos pedir ao aluno nada mais nada menos para agir no extremo de si mesmo. Nada fácil. Principalmente quando nem sempre estamos dispostos a frequentar esse abismo, esse precipício pleno de possibilidades (e de riscos) que é o ato de escrever.

Aqui estão algumas reflexões de autores conhecidos sobre o ato de escrever:

"Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias." (Pablo Neruda)

"Escrever é, simplesmente, uma maneira de falar sem que nos interrompam." (Sofocleto)

"É preciso escrever o mais possível como se fala e não falar demais como se escreve." (Sainte-Beuve)

"O ato de escrever é a arte de sentar-se numa cadeira." (Sinclair Lewis)

"Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não." (José Saramago)

"Escrever é ter coisas para dizer." (Darcy Ribeiro)

"Perdoe-me, senhora, se escrevi carta tão comprida. Não tive tempo de fazê-la curta." (Voltaire)

"Reescrevi 30 vezes o último parágrafo de 'Adeus às Armas' antes de me sentir satisfeito." (Ernest Hemingway)

"Uma história se conta, não se explica." (Jorge Amado)

"Escrevo para que meus amigos me amem ainda mais." (Gabriel García-Márquez)

"Cada um escreve do jeito que respira. Cada um tem seu estilo. Devo minha literatura à asma." (Fabrício Carpinejar)

"Escrever é um ato de liberdade." (Martin Amis)

"Escrever é uma forma de a voz sobreviver à pessoa." (Margaret Atwood)

"De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo." (Monteiro Lobato)

"Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer é porque um dos dois é burro." (Mário Quintana)

"Existem três regras para escrever ficção. Infelizmente ninguém sabe quais são elas." (W. Somerset Maugham)

"O autor escreve apenas metade de um livro. A outra metade fica por conta do leitor." (Joseph Conrad)

"Corrigir uma página é fácil, mas escrevê-la, ah, amigo! Isso é difícil." (Jorge Luis Borges)

"Escrever não é fácil ou difícil, mas possível ou impossível." (Camilo José Cela)

"Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra." (Margaret Atwood)

"Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida." (Clarice Lispector)

"Para escrever bem é preciso uma facilidade natural e uma dificuldade adquirida." (Joseph Joubert)

"Escrever não é nada mais senão ter o tempo de dizer: estou morrendo." (Gaëtan Picon)

"Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes, outros para se perpetuar nos manuais de literatura ou conquistar posições e honrarias. Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever." (Lêdo Ivo)

"Escrever é sacudir o sentido do mundo." (Roland Barthes)

20/11/11

Mia Couto

Um poema desse grande escritor Moçambicano.

Fui Sabendo de Mim

Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia

pedaços que saíram de mim
com o mistério de serem poucos
e valerem só quando os perdia

fui ficando
por umbrais
aquém do passo
que nunca ousei

eu vi
a árvore morta
e soube que mentia


in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas

04/11/11

Boa sorte!


Aos meus alunos que farão a prova do Baccalauréat em 2011: estou torcendo por vocês e confiante de que estão preparados. Sucesso!

Ana Hatherly

A matéria das palavras

Estamos aqui. Interrogamos símbolos persistentes.
É a hora do infinito desacerto-acerto.

O vulto da nossa singularidade viaja por palavras
matéria insensível de um poder esquivo.

Confissões discordantes pavimentam a nossa hesitação.
Há uma embriaguês de luto em nossos actos-chaves.

Aspiramos à alta liberdade
um bem sempre suspenso que nos crucifica.

Cheios de ávidas esperanças sobrevoamos
e depois mergulhamos nessa outra esfera imaginária.

Com arriscada atenção aspiramos à ditosa notícia de uma perfeição
especialista em fracassos.

Estrangeiros sempre
agudamente colhemos os frutos discordantes.

Ana Hatherly
O Pavão Negro
Assírio & Alvim
2003